31 de jan de 2008

Um Kilo de Sal

Desde o princípio, quando me propus a fazer esta caminhada, sabia que seria difícil e que ficaria a maior parte do tempo no carro de apoio, mas o clima do grupo e o espírito do desafio me levaram a caminhar com os meus próprios pés.
Estou surpresa comigo mesma.
Para quem sempre levou uma vida sedentária até que estou indo bem e até agora não ganhei nenhuma bolha nos pés.
Conviver em grupo não é uma coisa fácil. Minha mãe sempre diz que só começamos a conhecer o outro depois de comer um kilo de sal juntos. Como o grupo é grande em poucos dias se consumiu este kilo e tivemos que aprender a lidar com as diferenças.
Antes da caminhada eu ficava imaginando como seria a convivência com cada um, qual deles seria mais difícil ou mais fácil, mas com o tempo algumas máscaras foram caindo e muitas delas revelando pessoas doces, generosas, práticas e amigas. O Toninho Poeta, por exemplo, imaginei que não seria fácil conviver com ele e devo dizer que me enganei, é uma pessoa forte., doce e prestativa e está sempre na dianteira da caminhada, carregando a bandeira do Brasil como um desbravador(mas nunca um Bandeirante)
A Dora, que boa companhia! Além de tudo é uma “pidona” de primeira, vai aos mercados pedindo doações para os caminhantes:
- Qualquer coisa moço, pode ser frutas, leite, margarina, até o pãozinho de ontem.
Graças a ela temos tido grande fartura nas alimentações. Com seu jeitinho doce, logo,logo teremos queijo branco, suco de laranja e mamão para o café da manhã.
Serginho Poeta é um estabanado e comelão. Está o tempo todo com fomee adora encher o colchão de ar depois que todos estão dormindo, sem falar nas mudanças no meio da madrugada. As chuvas nos pegaram de surpresa no meio da noite e ele e a Diane foram premiados com uma goteira em cima da barraca, toca fazer a mudança no escuro. Ele pos um cartaz na porta da barraca “Tendinha dos Prazeres”, mas depois de cada caminhada ficaria melhor”Tendinha dos Milagres”. Tirando isso é um grande amigo e com ele por perto o riso está garantido.
Marcos , o mascote da turma, tem me surpreendido. Quando chegamos de cada caminhada ele come vorazmente e depois se esparrama sobre seu saco de dormir e tira aquele cochilo dos justos. À noite, nos saraus, fica responsável pela venda das camisetas e livros e nos presenteia com sua bela poesia.
O trecho entre Miracatu e Juquiá foi para mim o mais difícil, mas também o que me rendeu as melhores fotos.
Fizemos parte do percurso sobre os trilhos do trem.O caminho foi duro, muito mato, poças de lama, mosquitos e pedras. Tudo isso acabou por gerar um clima de nervosismo no grupo, houve um racha e eu mais três pessoas optamos por caminhar pela BR, apesar de tudo.
Passamos pela cidadezinha de Biguá e ficamos encantados. Uma vilazinha pequena, com casas de arquitetura antiga e de muita beleza.
Passamos por dois armazéns antigos cujos donos são japoneses. Daqueles armazéns com prateleiras altas e garrafas empoeiradas, vitrines de doces com paçocas, doces de abóboras em forma de coração, suspiro e pirulito, só faltou as balas soft.
Lugar lindo, Acho que ainda veremos muitos como este pelo caminho.

Suzi Aguiar


Obs: Este texto foi perdido, por esta razão colocados agora, mas é atual....

2 comentários:

Daniel Brazil disse...

Belas fotos! Que o mundo gire rápido sob os pés de todos vocês, mas que as lembranças se escoem muito lentamente.

Anônimo disse...

Suzi cronista.
Que Bela-Vista.
Manda mais.
De saudades
mando ais...
Abraço a todos!!!
Augusto