28 de ago de 2008

Pedrinhas







Michele Torinelli - www.campodemi.blogspot.com

14 de ago de 2008

Abraços






Vila de Pedrinhas, julho de 2008.


Michele Torinelli - www.campodemi.blogspot.com

Jo ana




Cananéia, julho de 2008.


Michele Torinelli - www.campodemi.blogspot.com

9 de ago de 2008

Fotos do caminho


8 de ago de 2008

OLHOS DE VER, PÉS DE CAMINHAR










Kátia Portes Leão

POESIA

FILOSOFANDO
Sensações
O corpo responde
Cada parte fala
Estremece
Age
Sensações várias
Exalam
Enrijecem
Soltam
Músculos faciais
Gestos
Leves, bruscos
Delineiam
Marcam
Dizem
O que sentes
Boas, ruins
Obscuras
Sensações
"Pra se achar
Precisa de perder..."
Sensações
Alvas, leves
Suor, tesão, choro
Sensações
Do percurso
Da grama, da areia
Do mar
Que lava
Sensações
Sabores
Tateiam
Afagam
Sensações
Na retina
Atentas
Marcam o tilintar
Passadas parca
Esparsas
Ouvidas ao longe
À sua chegada
Sensações
Dora Nascimento

POESIA

TECNOLOGIA

Ouço caminhar,
Passadas ofegantes
Silêncio
Ouço
Palavras entrecortadas
Ao fio que liga
Que leva
Alegria
Extasiada, excitada
Vou prá e prá cá
Ouço a Terra e o Mar
Vozes do caminhar
A poesia da Lua
O queimar do Sol
O frio da madrugada
Ouço os arrepios
Do amor que vai chegar.
Dora Nascimento

7 de ago de 2008

Itinerário Donde Miras - Sol, Mar e Natureza

Depois de Peruíbe, o planejado era cruzar a mata atlântica novamente, desta vez na reserva da Juréia. Para atravessar a reserva é necessária uma autorização, que infelizmente não nos foi concedida. O itinerário teve que ser mudado - a Barra do Una foi cortada do trajeto. A solução encontrada foi alugar uma van para ir até Barra do Ribeira, no município de Iguape, sendo que a distância era muito grande para ser percorrida a pé sem estrapolar o cronograma.


Na van de Peruíbe para Barra do Ribeira.

Lua cheia. Rio e mar. Calor no inverno, fogueira na areia. Momento de sentir, cheirar. O sol se pôs e a lua nasceu vermelha no mar. O concreto do cotidiano urbano da caminhada até então cedeu para a magia da natureza na Barra do Ribeira. Mais um sarau e mais uma oficina - teatro, com Gil Marçal - desta vez, à beira-mar. Novamente, hora de partir.


Binho cuidando da fogueira em Barra do Ribeira.

O percurso da Barra do Ribeira até o centro de Iguape é lindo - balsa, estrada de terra, asfalto sinuoso rodeado por mata, bica na montanha. Pôr-do-sol no mirante na entrada da cidade. O alojamento era uma estação do Ibama. A mata, o jardim do quintal. Os pingüins, nossos vizinhos de quarto. Eles foram encontrados na praia por estagiários do Ibama, exaustos da sua viagem desde o sul da Argentina até o litoral paulista. Eles vêm em busca de alimento e calor, por isso os estagiários os colocam dentro de uma caixa de papelão junto com garrafas de água quente - por mais absurdo que isso pareça. Na caminhada de Itanhaém a Peruíbe, havíamos encontrado um pingüim morto na praia. Mais uma vez eles faziam parte de nossa viagem.


Pingüim morto em Peruíbe.


Estação do Ibama em Iguape.

Em Iguape, saí com a Bicicloteca pela primeira vez, junto com outros Donde Miras. Pude percorrer essa linda cidade histórica doando e arrecadando livros, batendo de porta em porta e conhecendo de perto a população local. Pessoas sem medo de conversar com o outro, longe da paranóia da metrópole, da cultura da violência - crianças, poetas, escritores, vovós, comerciantes, operários. Pessoas que não temem outras pessoas.

O sarau em Iguape foi marcante. Participaram o grupo de percursão da cidade, formado por crianças, a companhia kiwi de teatro, que veio de São Paulo especialmente para essa noite, e poetas - gente se expressando, independente de títulos artísticos. O filme Leonel pé-de-vento de Jair Giacomini foi exibido, como em outros saraus, e mais uma vez encantou o público. No final uma linda roda, ritual sempre presente nesta caminhada, uniu todos os presentes, envolvidos com os cantos de Lívia e a energia do círculo. E a festa continuou na pastelaria dos taiwaneses - que diabos será uma porção de guioza?


Lívia na bicicloteca em Vila de Pedrinhas.

De Iguape atravessamos a ponte até o centro de Ilha Comprida. Mais um sarau, mais um companheiro - o colombiano Mono, que seguiu caminhada conosco até Vila de Pedrinhas e nos passou um pouco do seu vasto conhecimento sobre nossa América Latina. "A revolução latino-americana só acontecerá quando trocarem as armas pelas canetas", disse o ex-guerrilheiro Mono, que atualmente trabalha para o governo venezuelano.


Comoção durante a fala de Mono - Mucho, Joana, Kátia e Marivone.


Mono sendo abraçado por Marivone.

O centro de Ilha Comprida não é nada do que se espera quando se vai a uma ilha - muitos carros e concreto, poucas árvores. Já Pedrinhas, povoado de Ilha Comprida, é um paraíso. Estrada de terra, vegetação abundante, pássaros e estrelas cadentes. Muita paz e, pela primeira vez na caminhada, chuva. Um viajante chegou de bicicleta desde Curitiba para nos encontrar - Thiago, com seus malabares de fogo. De São Paulo veio Allan da Rosa, com sua voz forte e seu olhar marcante, e coordenou uma oficina de literatura.


Crepúsculo em Vila de Pedrinhas.

No sarau, ao contrário do que acontece nas grandes cidades, a vila toda veio participar. Duas meninas conduziram a roda final com "tchu tchu ê, tchu tchu á", um momento mágico em que todos voltaram a ser crianças e se permitiram brincar. Três músicos de São Paulo - Erik, Hugo e Douglas - casualmente se juntaram a nós em Pedrinhas, e seguimos até Cananéia, destino final de nossa caminhada.


Vagnão, Allan, Hugo e Erik fazendo um som.


Vanessa, nossa amiguinha de Pedrinhas, com a bandeira Donde Miras.

Em vinte e sete de julho chegou ao fim o trecho São Paulo - Cananéia da Expedição Donde Miras. Hora da despedida. Foram vinte e três dias de muitos passos, aprendizado, compreensão e revolução - nos olhos, na consciência e no coração. A última roda, a última fogueira, o último sarau. Por enquanto. Novos projetos brotam e a vontade de seguir desbravando a América Latina e a nós mesmos cresce mais e mais. Avante, caminhantes! A jornada mal começou.


Thiago no sarau em Cananéia.


Hugo, Douglas, Thiago e Erik tocando a música que compuseram para a expedição.


Michele Torinelli.

Quintal

Estação do Ibama, alojamento dos Donde Miras em Iguape.








Michele Torinelli.

3 de ago de 2008

Itinerário Donde Miras - Praias Urbanas

Depois de passar pela aldeia guarani Tenonde Porã, na cidade de São Paulo, e pela aldeia Rio Branco, no município de Itanhaém, a Expedición Donde Miras chegou a Santos no dia seis de julho. Após a difícil caminhada de uma aldeia à outra na mata, as caminhadas pelo litoral foram tranqüilas - terreno plano, sol e a deliciosa brisa do mar, sem contar a vista e a possibilidade de andar com os pés na água. O grupo integrou-se cada vez mais, formando a família Donde Miras.


Zinho Trindade e Adriano Soares no sarau em Santos.

Os viajantes ficaram alojados na Oficina Cultural Regional Pagu, localizada na antiga cadeia de Santos, graças à Assaoc - Associação Amigos das Oficinas Culturais do Estado de São Paulo, parceira da expedição. Havia um sarau programado para a noite da chegada, mas devido a atrasos da caminhada o grupo chegou meia hora após o horário estabelecido e o equipamento de produção da prefeitura de Santos já não estava disponível. Mesmo assim os Donde Miras percorreram a praça cantando e iniciaram o sarau. Na volta para o alojamento, uma intervenção no busão surgiu espontaneamente, com os versos de Zinho Trindade e poesias de Adriano Soares e Johnny Mucho.


Mucho na intervenção no busão.


Caminhada Santos - São Vicente.

No dia seguinte a caminhada partiu para São Vicente, a primeira cidade do Brasil. Na terça-feira, dia oito, o grupo foi recebido com teatro local na Vila de São Vicente, centro turístico da cidade. O sarau aconteceu à noite, com a participação de apreciadores e produtores de arte locais, e um debate sobre a realidade cultural da cidade foi suscitado. A falta de incentivo cultural por parte da administração pública foi apontado, porém chegou-se à conclusão que atividades culturais podem e devem ser organizadas pela própria população, mesmo sem apoio do Estado.


Teatro de recepção à expedição em São Vicente.


Donde Miras na Vila de São Vicente.

Após um dia de descanso, a expedição seguiu seu trajeto rumo à Praia Grande. O sarau ocorreu no mesmo dia da chegada no ginásio Rodrigão, onde o grupo estava alojado. Estudantes e professores do EJA - Educação para Jovens e Adultos participaram do sarau, no qual foram exibidos o trailer do filme do primeiro trecho da Expedición Donde Miras, de São Paulo a Curitiba em janeiro deste ano, e o filme Panorama - Arte na Periferia, seguidos de música e poesia.

Após Praia Grande foi a vez de Mongaguá. O grupo foi acolhido no Centro Cultural Raul Cortez, onde realizou-se a oficina de dança contemporânea, ministrada por Cícero Mendes. À noite no sarau, os moradores participaram com poesia e blues, e os Donde Miras contribuíram com mais poesia.


Cícero em sua apresentação no sarau em Mongaguá.


Oficina de dança contemporânea em Mongaguá.


Apresentação de blues no sarau em Mongaguá.

A próxima parada foi em Itanhaém. Alisson da Paz coordenou a aula aberta de literatura em ação e mais um sarau foi promovido. De Itanhaém a expedição partiu para Peruíbe, onde Zinho Trindade desenvolveu uma oficina de ritmo e poesia, seguida por um entusiasmante sarau. O destino seguinte era Barra do Ribeira, onde a Expedición Donde Miras iniciaria mais uma fase de sua caminhada, de contato mais intenso com as pessoas e com a natureza.


Ruína de igreja em Itanhaém.


Alisson em Itanhaém.


Bira ajudando Marivone na caminhada de Itanhaém a Peruíbe.



Michele Torinelli - www.campodemi.blogspot.com.

Reunião Donde Miras

No sábado, dois de agosto, os caminhantes se encontraram na Trópis, em São Paulo, para uma conversa sobre a trajetória São Paulo - Cananéia. Para falar, passou-se o cajado da fala, tradição Ameríndia, idealizado por Ralf e produzido por Thiago. Vieram à tona lembranças de momentos especiais e muitas, muitas risadas.






















Michele Torinelli.